As cidades sustentáveis
A rotina das grandes cidades agrava o aquecimento global. Ações inovadoras do meio urbano serão decisivas para o cumprimento das metas de redução de emissões de gases efeito estufa.
O que é preciso para uma cidade se tornar sustentável?
Antes de tudo é preciso ter um inventario de emissões. Ele é quem dará o mapa de como e onde a cidade está emitindo gases de efeito estufa (GEE). São Paulo já tem seu inventário e também uma lei de Mudanças Climáticas que é referencia para outras cidades.
O que mostra o inventario de São Paulo?
Mostra que a cidade produz 15 milhões de toneladas de GEE por ano. Desse total, 25% são emitidos pela manipulação do lixo e 75% da forma de como utilizamos a energia.
O que prevê a nova lei de mudanças climáticas?
Entre outras metas, prevê a redução de 30% dos GEE emitidos na cidade, a necessidade de urbanização mais compacta e eficiente no uso de energia, arborização e ampliação de áreas verdes, defesa dos rios e mananciais.
O transporte é um grande vilão nas grandes cidades. Como resolver o problema dessas emissões?
Atualizando a frota de ônibus e carros para uso de combustíveis renováveis e priorizando o transporte público de baixa emissão como metrô, o trem e ônibus elétrico. Em São Paulo foi implantada a inspeção veicular obrigatória que ajuda a diminuir as emissões. Outras cidades já cogitam tomar a mesma atitude.
E as bicicletas? Cidades como Paris, Amsterdã, Londres, Copenhague, entre outras, já privilegiam esse meio de transporte?
Estamos apoiando o uso da bicicleta desde 2005. Claro que ela não substitui o transporte publico ou o automóvel, mas faz parte das opções de transporte limpos. Hoje a cidade tem 200 mil ciclistas.
Como incentivar o uso da bicicleta em uma metrópole?
São necessárias ciclovias, ciclo faixas e transito compartilhado. Em São Paulo 20 km de ciclovias foram implantadas e vamos ter muito mais nos próximos meses. Também instalamos bicicletários em dezenas de estações de trem e de metrô da cidade, que é uma forma de integrar o uso da bicicleta com o transporte publico.
São Paulo tem algum exemplo de práticas sustentáveis em energias alternativas?
Temos a primeira lei municipal que obriga o uso da energia solar. Todo projeto de construção de obras publicas e privadas de grande porte na cidade precisam prever equipamentos para captação de energia solar. É um exemplo a ser seguido por outras cidades.
E os aterros sanitários o que fazer com eles?
Aterros de grandes cidades emitem principalmente metano, gás que agrava o aquecimento global 23 vezes mais que o CO2, mas que pode ser aproveitado para gerar energia em usinas, As 14 mil toneladas de lixo geradas em São Paulo estão alimentando duas usinas hidroelétricas que geram energia para 600 mil habitantes.
Onde mais é possível inovar?
As prefeituras podem inovar aproveitando entulho reciclado como base de asfaltamento de ruas e calçadas. Quarenta cidades brasileiras inclusive São Paulo, também assumiram compromisso de só contratar empreiteiras que comprovem a origem legal da madeira utilizadas nas obras públicas. Assim ajudamos os estados amazônicos a combater o desmatamento ilegal e diminuímos as emissões de GEE no Brasil.
E o cidadão comum, como pode contribuir para uma cidade mais sustentável?
Praticando medidas simples, mais importantíssimas, como utilizar mais transporte coletivo, diminuir o uso de sacolas descartáveis e promover a reciclagem do lixo.
Por que é preciso dar tanta importância ao lixo?
Porque as metrópoles produzem muito resíduo e a reciclagem é uma ajuda fantástica contra as mudanças climáticas. Se menos lixo chegar aos aterros sanitários, caem as emissões de metano e o CO2 e prolonga-se a vida útil dessas áreas. Nesse sentido, práticas sustentáveis realizadas por cidadãos de qualquer classe social em suas casas, em suas repartições, em suas oficinas e fabricas é algo insubstituível.
Saiba mais sobre cidades sustentáveis em www.planetasustentavel.com.br